Carta Nº 4 / Retrospectiva e consolidação
Dezembro 2023
2023: um ano de consolidação de tendências
O jogo dos investimentos é um jogo de resistência — e 2023 mostrou por que o longo prazo ainda é o único argumento que sobrevive ao tempo.
Antonio Bruno Alves
São Paulo, 28 de dezembro de 2023
6 min de leitura
Meus caros,
Que ano foi esse de 2023. Saímos dele com mais clareza do que entramos — e isso, por si só, já é raro o suficiente para merecer atenção.
Foram doze meses em que o mercado oscilou entre o medo da inflação persistente, as guerras na Ucrânia e em Gaza, e a incerteza sobre o ritmo de queda dos juros. Em meio a tudo isso, as teses que construímos com paciência ao longo dos últimos três anos começaram a se confirmar. Os títulos prefixados travados em taxas altas se valorizaram à medida que a Selic entrou em queda. As posições em ações brasileiras e globais, que passaram por três anos de descaso e descrédito, encerraram 2023 com rentabilidades entre 30% e 40%.
O jogo dos investimentos é um jogo de resistência e longo prazo. Um, dois ou três anos é muito pouco tempo para avaliar investimentos — por mais absurdo que isso pareça.
O que aconteceu
O ano reservou situações que exigiram atenção e decisão rápida. As intervenções do Banco Central na BRK Financeira e na Portocred demandaram atuação imediata: o FGC cobriu principal mais juros em cerca de 30 dias, e os clientes afetados foram acompanhados de perto nesse processo. Foram situações que testaram o método — e o método funcionou.
Em paralelo, a Órama foi vendida para o BTG. A transição foi acompanhada com atenção, sem sobressaltos operacionais para os clientes. O ambiente de negócios seguiu estável.
Do lado que importa medir: encerramos 2023 com mais de R$ 16 milhões em ativos sob custódia, cerca de 75 clientes ativos e crescimento em todas as métricas relevantes. O ticket médio ficou em R$ 216 mil, mas esse número é apenas referência — atendemos clientes independentemente do tamanho do patrimônio.
Como a carteira está posicionada
A distribuição da carteira dos clientes Nômeno reflete um movimento deliberado de maior peso em renda fixa ao longo dos últimos dois anos — saindo de 37% para 65% de representatividade. Essa escolha não foi reativa, foi estrutural: um ambiente de juros altos com perspectiva de queda é exatamente o momento de garantir taxas atrativas no prefixado e no IPCA+.
As posições em fundos de investimento estão concentradas em três estratégias complementares: reserva de liquidez com meta próxima de 120% do CDI, exposição a ações de menor capitalização com horizonte de três a cinco anos, e estratégia multimercado voltada a retorno acima da inflação no longo prazo.
Na renda fixa, a carteira está pulverizada entre títulos bancários dentro do limite de proteção do FGC e uma seleção de CRIs, CRAs e debêntures incentivadas com emissores de qualidade. Estamos evitando e nos desfazendo de posições pós-fixadas: com a Selic em trajetória de queda, essa classe perde atratividade relativa.
Na renda variável, as posições se organizam em teses setoriais com lógica clara. Bancos com valuations atrativos e histórico de proventos. Empresas de varejo que funcionam — modelo de franquias bem gerido, plataformas de comércio digital com penetração crescente — em contraste com o varejo que não funciona, aquele do parcelamento sem juros e da competição predatória com produtos asiáticos. Empresas de logística que exploram os desafios estruturais do transporte brasileiro. E construtoras para quem aceita maior volatilidade em troca de potencial de retorno expressivo.
O que vem pela frente
Agora é tempo de observar as teses se confirmando. A trajetória de queda dos juros — tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos — deve seguir em 2024, beneficiando diretamente as posições em prefixado e em ações de empresas com fundamentos sólidos. Os três anos de resistência que muitos encararam como perda de tempo foram, na verdade, o acúmulo de posição que vai gerar resultado nos próximos anos.
Independente das adversidades que surgirem — e elas vão surgir —, o processo de investimento da Nômeno se adapta a qualquer ambiente. Não porque prevemos o futuro. Mas porque sabemos agir quando ele chega.
Que 2024 confirme o que construímos juntos.
Antonio Bruno Alves
Nômeno
antonio@nomeno.com.br · nomeno.com.br